TI Sustentável: do discurso à ação

Um estudo da NTT DATA, corporação da comunidade Cubo, em parceria com a MIT Technology Review Brasil, mostra que a chamada TI Verde começa a se materializar nas empresas brasileiras.

A sustentabilidade deixou de ser pauta exclusiva de departamentos ambientais para ocupar o centro das discussões estratégicas nos conselhos de administração. No setor de Tecnologia da Informação, essa transformação é particularmente urgente: data centers já consomem 4,4% da demanda global de eletricidade, e cada consulta feita a sistemas de Inteligência Artificial gasta dez vezes mais energia que uma busca simples no Google.

Os números impressionam, mas revelam apenas parte do desafio. A pesquisa “Green IT Brasil 2025”, realizada pela NTT DATA em parceria com a MIT Technology Review, mostra uma dualidade preocupante no mercado brasileiro: avançamos culturalmente, mas patinamos na execução estratégica.

O estudo, que ouviu mais de 120 executivos no país, mostra que 52% das empresas já contam com equipes dedicadas a práticas ambientais e metade adota medidas como prolongamento da vida útil de equipamentos. Há equipes, há engajamento, há discurso alinhado.

O problema mora no bolso e na prioridade: apenas um terço das organizações possui orçamento próprio para iniciativas de TI Verde. Mais grave: somente 27% aplicam rotinas efetivas de otimização de software e infraestrutura (GreenOps), prática que reduz custos operacionais e emissões simultaneamente.

A conclusão é direta: temos estrutura humana, mas falta estrutura financeira e técnica para transformar intenção em resultado mensurável.

A pesquisa identifica três dimensões que precisam caminhar juntas para que a TI Verde saia do papel:

Energia – o consumo energético é o impacto mais visível e mensurável. Data centers respondem pela maior parcela da pegada de carbono do setor, e sua demanda deve crescer exponencialmente com a expansão da IA. A origem dessa energia importa tanto quanto o volume consumido.

Dados – monitoramento é pré-requisito para gestão. Hoje, 41% das empresas acompanham em tempo real o consumo de energia, mas menos de 30% estendem essa análise para a cadeia de fornecedores de nuvem. Sem visibilidade, não há controle.

Sustentabilidade – o pilar que integra os anteriores e exige governança. Quando metas ambientais são claras e mensuráveis, a probabilidade de obter financiamento interno aumenta 2,5 vezes. Orçamento segue estratégia, não o contrário.

Roberto Celestino, CSO da NTT DATA Brasil, aponta o principal gargalo: “Comprovar o retorno dos investimentos em tecnologia verde ainda é difícil. As empresas compreendem os benefícios ambientais e de reputação, mas a compensação financeira não está clara.”

A TI Verde ainda é percebida como centro de custo, não como geradora de valor. Enquanto essa percepção não mudar, iniciativas permanecerão pontuais, isoladas e vulneráveis a cortes orçamentários.

Há também uma lacuna de capacitação. Apenas 42% das empresas oferecem treinamentos regulares em práticas sustentáveis de TI. Sem conhecimento técnico disseminado, times de tecnologia continuarão reproduzindo modelos antigos, priorizando desempenho bruto em detrimento da eficiência.

A pesquisa organiza a evolução da TI Verde em cinco níveis, que vão desde ações incipientes (estágio inicial) até práticas consolidadas com resultados comprovados (liderança/excelência). A maioria das empresas brasileiras ainda oscila entre os estágios intermediários: há políticas definidas, mas execução heterogênea; existem metas, mas falta integração com a estratégia de negócios.

O salto de qualidade exige três movimentos simultâneos:

  1. Formalizar metas numéricas – objetivos vagos não mobilizam orçamento nem engajam liderança. Metas claras, com prazos e responsáveis definidos, transformam intenção em compromisso.
  2. Vincular remuneração a resultados de sustentabilidade – quando bônus e participação nos lucros dependem do cumprimento de metas ambientais, o tema ganha relevância executiva de fato.
  3. Integrar sustentabilidade ao design de produtos e serviços – o conceito de sustainability by design precisa orientar desde a arquitetura de software até a escolha de fornecedores e a logística reversa de equipamentos.

Para executivos e gestores, o desafio atual não é apenas adotar práticas isoladas, mas integrar a “TI Verde” ao coração da estratégia de negócios. Estudos recentes indicam que empresas que estruturam essa integração conseguem reduções médias de 15% a 50% no consumo energético. No entanto, a maturidade ainda é desigual, como citado acima: enquanto 52% das organizações possuem equipes dedicadas, apenas um terço conta com orçamento específico para essas iniciativas.

A TI Verde brasileira avançou nos últimos anos, mas ainda patina na transição do discurso para a prática estruturada. Os dados mostram que o caminho não é misterioso: metas claras, orçamento dedicado, capacitação técnica e liderança comprometida formam a base para que a sustentabilidade tecnológica deixe de ser iniciativa isolada e se torne, finalmente, estratégia de negócio.

📄 Acesse aqui o Estudo TI Verde: do discurso à ação

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✍ Adriano Motta.

🖼 📷🖼️📹 TI Verde: do discurso à ação | MIT Technology Review | NTT DATA Brasil


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