Sustentabilidade: integração financeira e valoração
setembro 1, 2026
A sustentabilidade já não é mais uma pauta periférica nas organizações, entrando na “Era da Valoração”, onde iniciativas de ESG competem por capital e atenção da gestão com o mesmo rigor financeiro de qualquer outro investimento corporativo.
Uma nova pesquisa global da KPMG, intitulada “Closing the Sustainability Valuation Gap“, revela que 72% dos executivos afirmam compreender detalhadamente a estratégia, as métricas e o desempenho de sustentabilidade de suas organizações. Além disso, 60% já consideram os riscos e oportunidades da sustentabilidade no planejamento financeiro, e metade das empresas a incorpora como parte integral de sua estratégia. Mas um dado da pesquisa expõe um paradoxo crítico: apenas 19% utilizam abordagens robustas de quantificação para medir como isso impacta, de fato, os resultados financeiros, os ganhos operacionais e a inovação.
Quatro em cada cinco empresas são incapazes de determinar como suas iniciativas de sustentabilidade afetam o EBITDA, o fluxo de caixa, os investimentos (CapEx) ou o balanço patrimonial. Essa desconexão entre a estratégia de sustentabilidade e a tomada de decisão financeira cria o que a KPMG chama de “lacuna de valoração”, que é um ponto cego que pode levar à subestimação de riscos e à perda de oportunidades de criação de valor.
As empresas que mais utilizam metodologias avançadas de valoração para quantificar os impactos da sustentabilidade são: setor bancário e de mercados de capital – 33%; energia e recursos naturais – 31%; e automotivo – 27%. Esses setores lideram porque os riscos da sustentabilidade, como mudanças climáticas, regulação e transição energética, têm um impacto mais direto e imediato sobre seus fundamentos financeiros, afetando o custo do capital, a valoração de ativos e a rentabilidade.
A pesquisa da KPMG identifica que a ausência de uma quantificação robusta pode trazer consequências reais para as organizações:
- Projetos de sustentabilidade podem não conseguir aprovação, mesmo quando geram retorno econômico, por não serem apresentados na linguagem financeira adequada.
- Riscos não são precificados adequadamente, deixando as empresas expostas a choques climáticos, regulatórios e de mercado.
- O custo da inação é ignorado, criando um ponto cego estratégico. Fazer nada raramente é neutro: pode aumentar custos energéticos, exposição regulatória, fragilidade da cadeia de suprimentos e prêmios de seguro.
- O capital começa a ser realocado em direção a empresas que demonstram resiliência a riscos de sustentabilidade. Um banco europeu, por exemplo, já se desfez de dezenas de empresas após avaliações de risco ESG.
A pesquisa aponta que a próxima fase da sustentabilidade será definida pela integração financeira e disciplina de valoração. Para isso, a KPMG recomenda que as organizações: desenvolvam metodologias consistentes para quantificar os impactos da sustentabilidade; incorporem a sustentabilidade ao planejamento financeiro, à alocação de capital e à valoração; e fortaleçam a colaboração entre as equipes de sustentabilidade e finanças.
Como destaca Julie Vasadi, Global Lead for Sustainability Deals & Value da KPMG International: “As empresas que tomarem a iniciativa agora provavelmente estarão mais bem preparadas para proteger e criar valor e vantagem competitiva em suas próprias organizações”.
A sustentabilidade entrou em sua “Era da Valoração”. Compreender o business case é apenas o ponto de partida; o diferencial competitivo estará na capacidade de traduzir riscos e oportunidades em métricas financeiras que orientem decisões estratégicas.
💬 Sua organização está entre as 19% que utilizam abordagens robustas de quantificação para medir como a sustentabilidade impacta, de fato, os resultados financeiros, os ganhos operacionais e a inovação?
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✍ Adriano Motta.
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