Paradoxo: brasileiro tem alta exposição a IA e temor de uso dos dados

Os números mais recentes da pesquisa Privacidade e Proteção de Dados Pessoais 2025 – Perspectivas de individuos, empresas e organizações públicas no Brasil – do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), refletem as vulnerabilidades, os dilemas éticos e a necessidade da ampliação da governança de dados.

A pesquisa apresenta um paradoxo com a Inteligência Artificial Generativa. 73% dos usuários utilizam a Inteligência Artificial para temas de trabalho ou estudo. Mais da metade dos usuários de IA compartilham suas emoções (54%) e dados de saúde (52%) com essas ferramentas. Por outro lado, a confiança é frágil. Quase 70% dos usuários confessam estar preocupados com a forma como as empresas provedoras tratam essas informações.

A pesquisa também revela que, embora a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) já esteja em vigor há alguns anos, a cultura de proteção nas empresas ainda engatinha. Apenas cerca de 20% das organizações possuem uma área ou um funcionário dedicado exclusivamente a esse tema. Na maioria das vezes, a responsabilidade recai sobre a área de TI ou Administrativo, sem o devido engajamento estratégico.

Muito preocupante é a manutenção de dados sensíveis sem a devida governança. Cerca de 10% das empresas ainda mantêm dados de menores de 18 anos, e uma parcela significativa armazena dados biométricos e de saúde sem uma política de segurança robusta.

E os dados sobre golpes são crescentes. Os dados revelam que um em cada três usuários de internet no Brasil (32%) relatou ter sofrido tentativas de golpes utilizando seus dados pessoais, e 20% foram efetivamente vítimas. Aplicativos de mensagem (84%) e ligações telefônicas (79%) são os vetores predominantes, mostrando que a ameaça é híbrida, explorando tanto a vulnerabilidade tecnológica quanto a humana. O impacto vai muito além do financeiro: 58% das vítimas relataram mal-estar e estresse emocional profundo.

Nas organizações públicas os dados revelam um cenário de avanços na estruturação da governança de dados, mas ainda com desafios significativos de implementação prática e capacitação, especialmente em municípios menores e em setores como a saúde. 62% dos órgãos públicos federais e estaduais nomearam um Encarregado de Proteção de Dados (DPO). No Judiciário, esse número salta para 94%. No entanto, apenas 44% possuem um programa de governança em privacidade estruturado. Existe a figura do responsável, mas muitas vezes falta a cultura e os processos sistêmicos.

A realidade das prefeituras é outro desafio. 42% das prefeituras possuem área ou pessoa responsável pela implementação da LGPD. 44% disponibilizaram canais de atendimento pela internet para cidadãos questionarem o uso de seus dados, e 34% possuem documento formal definindo papéis e responsabilidades sobre a LGPD.

Os números da Saúde mostram que apenas 28% dos estabelecimentos de saúde possuem um documento formal que define uma política de segurança da informação. Entretanto, 44% dos estabelecimentos nas capitais possuem essa política, no interior esse número cai para 27%. Já na educação, 46% das escolas públicas realizaram debates ou palestras sobre privacidade e proteção de dados nos 12 meses anteriores à pesquisa, atingindo principalmente funcionários (46%), professores (45%), pais (33%) e alunos (38%).

Acesse a pesquisa Privacidade e Proteção de Dados Pessoais 2025 – Perspectivas de individuos, empresas e organizações públicas no Brasil.

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✍ Adriano Motta.

🖼 📷🖼️📹 gerado com IA


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