Setembro Amarelo: impacto da saúde mental na produtividade
setembro 15, 2026
Os números da mais recente Pesquisa de Saúde Mental da Aon são um alerta necessário: 79% dos profissionais na América Latina operam com risco moderado a alto para a saúde mental. Estamos falando de 8 em cada 10 pessoas sob tensão ou em franco sofrimento.
O setembro amarelo é propício para pensar sobre isso. É muito comum conhecermos alguém que já sentiu na pele o peso de um ambiente de trabalho que adoece. Ter amigos pedirem demissão por burnout. Ver líderes competentes se calarem diante de pressões absurdas e o silêncio virar regra.
E é justamente esse silêncio que incomoda. A pesquisa mostra que existe uma dificuldade enorme de falar sobre o tema dentro das organizações. As pessoas sofrem, mas não falam. E quando não se fala, não se resolve. O silêncio corporativo sobre o tema não é prudência; é uma falha de liderança que multiplica riscos operacionais, engessa a inovação e adoece times inteiros. Não se trata apenas de um “problema do RH”. É um sintoma agudo de um modelo de gestão que esgotou sua validade.
O Brasil é o terceiro da região com maior proporção de trabalhadores no perfil de alto risco de saúde mental (31%), ficando atrás apenas de Argentina (38%) e Chile (35%). A pontuação média do Índice de Saúde Mental (ISM) no Brasil é de 65,5, o que enquadra a população trabalhadora no nível “pressionado”. Na América Latina como um todo, o ISM ficou em 64,9. O estudo também mostrou que 30% dos profissionais na região relatam queda na produtividade diretamente ligada à saúde mental e que 48% dos líderes não sabem como atuar no caso de algum colaborar enfrentar problema de saúde mental. Já no Brasil, 63% dos profissionais relatam preocupação com a possibilidade de deixar de ter oportunidades de carreira por enfrentarem algum problema de saúde mental e isso chegue ao conhecimento do local de trabalho.
No universo do ESG, o pilar Social e a Governança de verdade começam dentro de casa. A regeneração da saúde mental passa por um ambiente de trabalho que restaure ativamente a energia, a criatividade e a dignidade de quem o faz funcionar. Sustentabilidade, nas organizações, deve ser sobre pessoas também. Não há meta ESG que se mantenha quando quem executa está no limite.
Para reverter esse quadro é necessário uma mudança estrutural. É preciso tratar o bem-estar psicológico com a mesma seriedade e rigor dos indicadores financeiros. Líderes precisam modelar comportamentos saudáveis na prática, estabelecendo limites claros e construindo espaços onde admitir o cansaço ou discordar de uma decisão seja visto como maturidade profissional, e não como fraqueza.
E a chave está na Governança, em ter coragem de olhar para dentro.
💬Que ambiente estamos criando? Que pressões naturalizamos? O que estamos deixando passar em nome da produtividade?
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✍ Adriano Motta.
🖼 📷🖼️📹 gerado com IA
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